HIERARQUIA

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

PARAPSICOLOGIA E O HOMEM

Desde os primórdios o homem se vê diante de fatos e situações que não consegue explicar. Naturalmente, o avanço do conhecimento humano permite que a complexidade frente à vida diminua cada vez mais. Contudo, uma classe de fenômenos continua obscura para a ciência: são os fenômenos que, desde sempre, estiveram ligados ao  ocultismo ou às religiões e que sugerem a capacidade do homem transcender seus limites meramente físicos.

Esses fenômenos são conhecidos por telepatia (transmissões de pensamentos), clarividência (visões do que ocorre à distância, sem acesso por meio físico conhecido), precognição (conhecimento de fatos futuros sem o uso da inferência racional), poltergeist (conjunto de fenômenos que sugere que determinado lugar esteja “mal assombrado”), etc. Podem ser conhecidos por sinônimos; podem estar vinculados a determinadas práticas rituais; podem estar inscritos nos mais diversos contextos doutrinários. Mas o fato, inconteste, é que ocorrem nas mais variadas regiões do planeta e para eles não existem respostas científicas.

A Parapsicologia, a princípio, estuda todos estes fenômenos. Contudo, enquanto disciplina científica, a Parapsicologia enfrentou uma série de dificuldades. A primeira delas foi provar a existência de seu objeto de estudo. Até 1930, as pesquisas científicas concentravam-se somente no aspecto qualitativo, portanto impossíveis de serem reproduzidas. O Prof. Dr. Joseph Banks Rhine abordou a fenomenologia parapsicológica em experimentos quantitativos, o que facilitou o reconhecimento, por parte da comunidade científica, de que havia um novo campo a ser estudado. Ou seja, talvez a Parapsicologia tenha sido a única ciência obrigada a provar que seu objeto de estudo é real.

As pesquisas de Rhine ocorreram na Universidade de Duke, Carolina do Norte, EUA . Foram uns novos marcos na história do conhecimento científicos porque trouxeram – definitivamente – para o âmbito da ciência fenômenos que, antes, eram de abordagem exclusiva das religiões, do ocultismo e, até mesmo, de experiências pretensamente científicas mas que pecavam pela metodologia. Dessa forma temos que, muitos fenômenos citados pelas diversas religiões ou mesmo observados apenas qualitativamente, ainda não estejam efetivamente comprovados, tais como, levitação (capacidade dos corpos flutuarem anulando a força gravitacional) e a materialização de objetos (aparecimento de objetos em locais onde, originalmente, não estavam – sem a utilização de meios físicos conhecidos). Outros fenômenos são pesquisados reduzindo-se o ritualismo da sua manifestação, abordando-se-lhes o que à ciência interessa, como no caso das diversas mancias (Quiromancia – leitura das mãos; Cartomancia – leitura de cartas, etc.) onde a capacidade de prever o futuro pode estar ligada a diversos condicionamentos mas que não é – necessariamente – inerente a estes. Pesquisa-se, então, a capacidade paranormal do quiromante e não os mistérios da Quiromancia; é importante a suposta sensibilidade do cartomante e não as inúmeras disposições aleatórias que as cartas possam ocupar numa sessão de Cartomancia. Nesse mesmo contexto são direcionadas as pesquisas onde os fenômenos ocorrem nas religiões, seitas ou rituais de caráter ocultista. São respeitadas, mas não interessam, a doutrina, a ideologia e a mitologia. Interessam – sim – o fenômeno e as pessoas.

A Parapsicologia é uma ciência humana. Trata de assuntos também abordados pelas religiões e pela magia (entenda-se por correntes ocultistas). Contudo, o parapsicólogo, o religioso e o mago partem de premissas diferentes. Para o parapsicólogo todo fenômeno se origina no homem. O homem é o centro e a razão de toda e qualquer manifestação paranormal. Para o religioso e o mago o homem é apenas um acidente na ocorrência de fatos universais. Alfred Still ( Nas Fronteiras da Ciência e da Parapsicologia, São Paulo:Ibrasa,1968.2ed.p.33) discutindo as diferenças entre o mago e o religioso, afirma com propriedade: “Podiam-se considerar a magia e a religião primitivas ramos da mesma árvore; a religião, porém, procurou propiciar e, conseguiu, concessões das forças ocultas sobre as quais o homem não tem controle algum, ao passo que a magia aspira controlar as forças e os indefesos”. Portanto, enquanto a religião adora forças superiores e a elas pede concessões, a magia procura dominar essas forças. Em ambas, o homem é, apenas, parte de um contexto mais abrangente. Já para a Parapsicologia o homem é o epicentro do fenômeno, ainda que as causas disso sejam desconhecidas.


1.2. DEFINIÇÃO DE PARAPSICOLOGIA.


Vários autores definiram Parapsicologia. Robert Amadou propôs duas definições, a ampla e a estrita:

          “No sentido amplo, a parapsicologia é a disciplina que se esforça em explicar os fenômenos aparentemente aberrantes perante a ciência, seja por causa da fraude, seja por causa da ilusão ou do exercício de uma função psicológica ‘clássica’ ou nova.
            No sentido estrito, a parapsicologia é a colocação em realce e o estudo experimental das funções psíquicas que ainda não estão incorporadas ao sistema da psicologia científica, com a finalidade de integrá-las a este sistema, que ficará então ampliado e completo.”  (Parapsicologia. São Paulo:Mestre Jou, 1965.p.55).

A desvantagem nas definições de Amadou é que as mesmas limitam todo o estudo parapsicológico a áreas a serem incorporadas à Psicologia. Como não se conhecem as causas dos fenômenos parapsicológicos estas definições podem não se tornar verdadeiras, no futuro, quando avançarem as pesquisas.

Já René Sudre define Parapsicologia como “…a ciência que tem por objeto os fenômenos físicos ou psicológicos devidos a forças que parecem inteligentes ou a faculdades desconhecidas do espírito.”(Tratado de Parapsicologia. 2ed.Rio de Janeiro:Zahar, 1976.p.65). A definição de Sudre, embora mais abrangente, deixa margens a algo independente do homem. “Forças que parecem inteligentes” podem sugerir alguma concepção espírita. “Faculdades desconhecidas do espírito” seria mais condizente com o espírito científico, se entendermos como ‘espírito’ a parte extrafísica do homem, ou seja, seu psiquismo. Ainda assim, limitaríamos o campo de estudos. E se os fenômenos parapsicológicos se derem por influência de energias não psíquicas? Como podemos observar, as definições podem comprometer a imparcialidade científica.

João Teixeira de Paula define Parapsicologia como “… uma disciplina científica que investiga os fenômenos que, existindo na Natureza, são inabituais na contingência humana, quer sob o ponto de vista qualitativo, quer sob o ponto de vista quantitativo.”(Dicionário de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo, vol.III. São Paulo:BCB, 1970,p.8). Esta definição não restringe a área de estudo e é própria do estágio em que se encontra a Ciência Parapsicológica: constata-se apenas a existência dos fenômenos, mas não se conhecem as causas. Contudo a abrangência da definição pode não ser compatível com o espírito de exatidão de uma ciência.

Outras definições podem ser encontradas nos diferentes autores e de forma geral oscilam entre o comprometimento com alguma ideologia ou com uma abrangência despropositada.

A definição que utilizaremos neste curso é a estabelecida pelo trabalho de Rhine: Parapsicologia é o estudo da capacidade que os seres  possuem de transmitir e receber informações independentemente dos sentidos habituais (audição, visão, paladar, olfato e tato).

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